karsh de otawa

Quando uma celebridade começava a pensar em imortalidade, chamavam o Karsh de Ottawa

Ei gente incrível desse mundão!

Criamos esse espaço no site para hospedar conteúdos exclusivos Cachalóticos. Nossa proposta  é postar making-ofs, falar sobre nossas referências e "otras cositas más" que passam pela nossa Baleia querida.

Esperamos que aqui seja um espaço de troca de experiências e pitacos, queremos reunir as boas idéias que chegam até nós e devolver pra quem quiser pegar.

Começaremos aqui na categoria referências fodásticas que mudam nossas vidas. Há!

Exageros a parte, pra mim (Julia falando aqui), referências visuais são a estrutura do que vai se tornar a construção da nossa identidade artística própria.  A gente se identifica com algum artista ou trabalho em particular e a partir daí começa a abrir nossos próprios caminhos nesse mundão de infinitas possibilidades em que a gente vive. Enfim, bora lá!

Topei com o trabalho do Yousuf Karsh quando era assistente em 2009, enquanto fazia uma pesquisa sobre retratistas. Estava numa pira de colecionar fotógrafos que criassem seus retratos de maneira simples, porém criativas. Retratos que impactassem não pelas super produções, mas pela sutileza de um olhar, movimentos, uma luz singular.

 Auto retrato de Yousuf Karsh

Auto retrato de Yousuf Karsh

A primeira foto que vi dele foi um tiro. O retrato da bailarina Betty Low era exatamente o que eu procurava em termos de referência. Um retrato despretensioso mas poderoso. Fiquei mais chocada ainda quando fui futucar a fundo a historia do retrato e achei uma aspa dele contandoque esse turbante incrível foi improvisado na hora, o cara simplesmente olhou em volta, sacou uma cortina, arrancou ela da parede e enrolou na cabeça da moça. "

 Betty Low [1936]

Betty Low [1936]

Karsh saiu da da Turquia durante um periodo conturbado da região (império Otomano na época), imigrou para Ottawa/Canadá e foi ajudar o seu tio em seu estúdio fotográfico. Apaixonou-se pelos processos químicos e retratos (mas que nunca?) e seguiu carreira. Foi Aprendiz de John Garo (outro retratista clássico sinistrão) por 3 anos, que só trabalhava com luz natural.

Ele conta que durante seu tempo de assistente, costumava visitar o museu vizinho ao estúdio de Garo e passava muito tempo observando as obras de grandes mestres da pintura como Rembrandt, Velazquez, Sargent, entre outros. Acho fantástico que suas referências de luz e poses estejam nas pinturas clássicas,  Eu acredito que ele realmente conseguiu transpor a arte de imprimir ares de grandiosidade que a pintura dá aos seus retratados, nas suas fotografias. De famosos nas artes, política e ciências até pessoas comuns, é quase palpável o respeito e interesse que ele tem pelos seus personagens. Nas palavras de Karsh, o que ele tentava era sempre procurar a Nobreza no outro, não importa quem.

 1. Operário da Ford {1950}                   2. Audrey Hepburn {1956}     3. Albert Einstein {1948}

1. Operário da Ford {1950}                   2. Audrey Hepburn {1956}     3. Albert Einstein {1948}

 

Karsh falava muito sobre a pesquisa sobre o seu personagem antes da foto, ele gostava de estar sempre preparado para o encontro, pesquisava da historia de vida até o drink favorito de quem iria fotografar. Mas sobre o retrato que fez de Hemingway em Cuba, ele tinha uma consideração. Foi tão preparado para a foto, pesquisou tanto a vida do escritor, que quis impressionar com a sabedoria adquirida sobre o próprio,que pediu um Daikiri ao ser indagado por Hemingway sobre o que gostaria de beber.  Acontece que nem meio dia era, a boa impressão que queria causar saiu um pouco pela culatra. Sobre isso ele diz, é bom se preparar e conhecer seu personagem, mas nem tanto. Dizia que o melhor mesmo era chegar numa foto sem um rascunho, e ter que lidar com o que o ambiente lhe oferecia, sem idéias pré concebidas de poses ou locações. O importante era se virar com o que o mundo lhe oferecia.

 Ernst Hemingway {1957}

Ernst Hemingway {1957}

Sobre equipamento, aparentemente ele usava uma grande formato e algumas luzes de modelagem. duas ou 3, mas também não dispensava flashes quando tinha missões na Europa (a modelagem era difícil de usar devida a energia fraca da época no velho continente). Mas ele também se virava bem na luz natural, tipo esse retrato do escritor francês François Mauriac, em que ele se preparou todo com flashes para a sessão, mas faltou energia durante o dia todo. O Jeito foi se virar com o fiapo de luz natural que entrava pela janela e um lençol branco.

 François Mauriac, {1948}.

François Mauriac, {1948}.

Mas a história mais fantástica desse fotógrafo que tanto amamos  é  de como ele fez o retrato de Winston Churchill, logo após um discurso durante a Segunda Guerra mundial. 

Karsh havia chegado um dia antes ao salão aonde Churchill discursaria, preparou as luzes, testou e voltou no dia seguinte. Ao topar com Churchil (que não sabia que seria fotografado mas aceitou com ligeiro mau humor) foi informado que teria 2 minutos para sua foto.

Churchil foi posicionado no ponto certo e Karsh aguardava algo (o tal do momento mágico) atrás de sua câmera, enquanto o ex primeiro ministro fumava seu inseparável charuto. Até que Karsh, num lapso de atrevimento, foi até seu personagem, retirou respeitosamente o charuto de sua boca, voltou para a câmera e clicou.

O resultado dessa peripécia é o olhar incrédulo do ex-primeiro ministro para o expectador da imagem. Apesar de já trabalhar como fotógrafo há 15 longos anos, foi esse retrato que fez Yousuf Karsh ser reconhecido no mundo da fotografia.

Karsh  parecia procurar em seus personagens algo de genuino em suas expressões o poses. Independente de quem fosse o sujeito da vez, ele estava sempre preparado para captar o mais sutil dos movimentos das mãos (sempre!), jeito de olhar ou alguma manifestação de emoção. O combo da habilidade em deixar seus personagens a vontade combinada ao seu vasto conhecimento sobre iluminação e seu clique rápido e atencioso, fez com que os retratos de Karsh fossem mais do que registros de personalidades famosas, suas fotografias são verdadeiras obras de arte e parecem captar a essência dos fotografados.

 Martin Luther King [1962]

Martin Luther King [1962]

 John Kennedy {1960]

John Kennedy {1960]

Sugiro fortemente a todos, gastar um tempinho pesquisando e apreciando os retratos de Karsh. Seu portfolio é uma aula de iluminação, elegancia e simplicidade. ;)

E por enquanto é só pessoal, caso tenham alguma sugestão para posts, reclamação ou coisa que o valha, conta pra gente!

 

:*